Cibertúlia

Não há mais sublime sedução


 

Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém.

Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles

A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar

Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia.

Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.

Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder

Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num

Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar

Num livro uma página estrategicamente aberta.

Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza

Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra

Que te quer. Soprá-la para dentro de ti

até que a dor alegre recomece.


 

Maria Gabriela Llansol (24 de novembro de 1931 - 3 de março de 2008), O começo de um livro é precioso
(imagem do filme Ma Nuit chez Maud, de Éric Rohmer)

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